Europa registra a maior inflação no atacado desde 1990
Impulsionada pelos custos de energia, alta dos preços reforça as apostas de aumento de juros pelo BCE
O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) na zona do euro registrou em maio a maior alta anual dos últimos 18 anos, elevando as razões para as apostas de aumento do juro básico pelo Banco Central Europeu (BCE) nesta quinta-feira, 3. O PPI, que é a inflação no atacado, avançou para 7,1% ante maio de 2007 e para 1,2% ante abril, segundo dados da Eurostat, bem acima das expectativas de alta de 6,6% e 0,8%, respectivamente.
A alta do PPI em maio na comparação anual foi a maior desde o início dos registros, em janeiro de 1990. Já o aumento em termos mensais se compara ao ganho de 1,2% em janeiro de 2006. Segundo a Dow Jones, boa parte da elevação dos preços foi impulsionada pelos custos de energia, que subiram 4,1% em maio ante abril e 18,2% frente a maio de 2007.
O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, afirmou nesta quarta-feira, 2, que existe um risco de que a inflação possa "explodir" se o Banco Central Europeu (BCE) não agir definitivamente para contê-la.
"Se nós não formos determinados, existe um risco de que a inflação vá explodir. Se nós agirmos decisivamente, poderemos dominar a situação", disse Trichet ao jornal alemão Die Zeit, segundo uma cópia antecipada de um artigo a ser publicado na quinta-feira.
As preocupações com uma recessão na Europa aumentaram na última terça-feira, depois que a Dinamarca se tornou o primeiro país a entrar em uma recessão técnica. Segundo analistas, as economias européias enfrentam atualmente uma combinação tóxica de pressões inflacionárias elevadas, preços de petróleo mais altos, fortes taxas de câmbio, enfraquecimento do crescimento global e condições de crédito apertadas.
Economistas acreditam que Itália, Espanha, Portugal e Irlanda são os que correm mais risco de recessão, enquanto Reino Unido e França enfrentam fortes desacelerações. (Agência Estado)
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