TURISMO

Festas Juninas: um Brasil brasileiro
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Festas Juninas: um Brasil brasileiro



Fábio Brito*
fabiobritocritica@yahoo.com.br

-Lúcia Helena Vitalli Rangel, em seu livro "Festas Juninas - Festas de São João - Origens, Tradições e História", apresenta a origem das festas, as comemorações juninas no Brasil. Santo Antônio, São João, São Pedro, casamento caipira ou matuto, danças juninas, jogos juninos, músicas juninas, o mastro, comidas e bebidas juninas.
- Nossa, parece completo... Através desta publicação, pelo que estou ouvindo, posso
obter as informações que necessito para compreender esta manifestação cultural genuinamente
brasileira.
- Genuinamente brasileira? Engano seu! Ou melhor, faltam-lhe informações para saber
que as festa juninas vêm de muito longe e de há muito tempo. "Se pesquisarmos as origens
destas festividades, perceberemos que elas remontam a um tempo muito antigo, anterior
ao surgimento da era cristã". Dessa forma, Lúcia Helena em seu texto nos introduz no
fascinante mundo das festas juninas.

Tempos remotos
"No mês de junho, diversos povos - celtas, bretões, bastos, sardenhos, egípcios, persas, sírios e sumérios - faziam invocação da fertilidade para estimular o crescimento da vegetação, promover a fartura nas colheitas e trazer chuvas".
Embora estas festividades, lá longe, tivessem como motivação a chegada do verão no
hemisfério norte, o Brasil assimilou de forma própria essas manifestações, transformando-
-as em linguagem popular nossa, onde personagens do mundo rural e agrícola têm destaque
nas danças da quadrilha, nas vestimentas que evocam a simplicidade e a autenticidade
do ser caipira, o homem genuinamente brasileiro de outrora, quando a maior parte da
população vivia no campo, na roça, e o êxodo rural ainda não tinha esvaziado as regiões
brasileiras com o fenômeno da migração e ocupação desordenada do solo nas grandes
metrópoles, surgindo favelas, cortiços, bairros populares sem expressão arquitetônica e
muita, muita marginalidade e violência. O homem do campo foi aviltado pelas pressões
do dia a dia nas grandes cidades, sem infra-estrutura urbana básica.

As festas juninas no Brasil
Descreve ainda a nossa querida Lúcia Helena Vitalli Rangel: "Quando os portugueses
iniciaram o empreendimento colonial no Brasil, a partir de 1500, as festas de São João
eram ainda o centro das comemorações de junho. Os jesuítas acendiam fogueiras e tochas
em junho, provocando grande atração sobre os indígenas.
Mesmo que no Brasil essa época marcasse o início do inverno, ela coincidia com a realização

dos rituais mais importantes para os povos que aqui viviam, referentes à preparação dos novos plantios e às colheitas. O período que vai de junho a setembro é a época da seca em muitas regiões do Brasil, quando os rios estão baixos e o solo pronto para enfrentar o plantio. Derruba-se a mata, queimam-se as ramagens para limpar o terreno, que é adubado com as cinzas, e a seguir começa o plantio. É a técnica da oivara, tão difundida entre os povos do continente americano.

As maiores festas juninas do Brasil ocorrem em Caruaru, em Pernambuco, e Campina Grande, na Paraíba. Pequenas cidades do interior brasileiro homenageiam os "santos juninos" nas fazendas e nos sítios, nas paróquias e em diversas localidades ou logradouros públicos onde estão presentes as comunidades. O colorido das bandeirinhas, as brasas faiscantes da madeira queimada em grandes fogueiras, as noites frias do sudeste e do sul brasileiros, o delicioso cheiro de quentão ao som da viola caipira, os ritmos do forró, da quadrilha, da catira, o badalar dos sinos das igrejas testemunham esta festa popular, familiar, e nos fazem mergulhar no Brasil profundo, um país multicultural, onde impera a desigualdade social, a ignorância dos políticos, a falta generalizada de educação; Tudo isso amenizado pelas festas onde, por um curto período, as pessoas se distanciam de suas preocupações diárias e se sentem brasileiras, sem conhecer às vezes as histórias dos três santos homenageados: São João, Santo Antonio e São Pedro.

Os santos
Santo Antonio chamava-se Fernando de Bulhões, nasceu em Lisboa e faleceu e Pádua,
na Itália, em 1231.
"Confessei-me a Santo Antonio,
confessei que estava amando,
ele deu-me por penitência
que fosse continuando."
"Meu Santo Antonio querido,
meu santo de carne e osso,
se tu não me dás marido,
não tiro você do poço."
"Santo Antonio, Santo Antonio
abaixai-me esta barriga
que não sei que tem dentro
se é rapaz ou rapariga."

E São João?
João Batista era primo de Jesus Cristo e no dia 24 de junho comemora-se a data do
seu nascimento. Era filho de Santa Isabel e São Zacarias. Todos conhecemos aquela cena
horrível em que Salomé, enteada de Herodes Antipas, apresenta ao tirano a cabeça de
João Batista, após ser degolado, em uma bandeja. São João introduziu o batismo cristão.
"Segundo Frei Vicente do Salvador, um dos primeiros brasileiros a escrever a história de
sua terra, já no ano de 1603 os índios acudiam a todos os festejos portugueses, em especial
os de São João por causa das fogueiras e das capelas".

São Pedro
São Pedro fundou a Igreja Católica e foi o seu primeiro papa. No dia 29 de junho as
festividades ocorrem em sua homenagem. Quando chove demais, evocamos São Pedro,
quando chove de menos, a responsabilidade é de São Pedro. Protetor dos pescadores e
das viúvas, São Pedro é venerado por sua simplicidade e sua bondade.
- E a quadrilha, e o casamento matuto?
- Em breve voltaremos a falar sobre isso. Enquanto esperamos, vou cantando: "Capelinha
de melão, é de São João. É de cravo, é de rosa, é de manjericão. São João está dormindo,
não me ouve não. Acordai, acordai, acordai João!"
*Este texto faz parte da coluna Brasilzão, publicada em diversas mídias brasileiras e ligada a editora Empresa das Artes, do jornalista Fábio Brito

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