ONG Criança Feliz
desenvolve trabalho com crianças do Brasil

Sarah e as crianças na Fazenda, sede matriz da ONG, em 2007
Houve um barulho de arma de fogo, seguido por outro, mais alto do que o primeiro. Em seguida, outro e outro. Jogada no chão de barro frio de um pequeno barraco em uma favela no Rio de Janeiro, Sarah de Carvalho temia por sua vida.
Era 1991 e Sarah tinha escolhido deixar Surrey, seu local de residência em Effingham e uma carreira bem sucedida na TV BBC e Sky para participar de uma organização missionária no Brasil, criada para ajudar crianças de rua negligenciadas que viviam em uma vida de violência, exploração e a morte.
"Meu plano original era ficar apenas um ano entre os contratos de televisão", explica Sarah. "Mas fiquei tão chocada com o que eu encontrei lá, com os assassinatos de centenas de crianças nas mãos dos esquadrões da morte e com o fato de que 35% das crianças de rua foram mortas antes do 18 anos de idade, que eu sabia que não poderia simplesmente ignorar o problema e ir embora".

Sarah e as crianças atendidas pela ONG
No dia do tiroteio, Sarah se viu apanhada no fogo cruzado entre grupos rivais de favelas diferentes que toma conta dos céus dos arredores do Rio de Janeiro, uma das cidades mais glamourosas do Brasil. Mas para as crianças de rua, suas gangues violentas eram apenas metade do problema. Do mesmo modo ameaçador agiam as autoridades que queriam todas as provas de pobreza retiradas das ruas. Em uma imagem verdadeira, passar um gloss brilhante por cima traz um disfarce mais fácil para um mundo de dor.
"Depois do tiroteio eu pensei que ia ter que ir para casa e senti medo de sair às ruas. Na época pensei: 'os problemas são tão grandes aqui que que diferença eu posso fazer?'", lwembra Sarah. "Mas eu me lembro de algumas palavras em meus pensamentos que me fizeram encontrar a paz e força para continuar. Na época, havia muito poucas pessoas ajudando estas crianças e eu sabia que não poderia viver comigo mesma se eu não ficasse e tentasse fazer a diferença para alguns deles ".
Dois anos depois de sua chegada e casada com um brasileiro, Sarah fundou a organização Criança Feliz, um Ministério para crianças de rua em Belo Horizonte. O objetivo, como uma instituição de caridade cristã que trabalha em parceria com agências governamentais, grupos de voluntários, pessoas e igrejas, era atender às necessidades urgentes das crianças de rua, ajudando suas famílias e comunidades.

Casa Happy Child em Recife 2007
"O trabalho começou em Belo Horizonte em 1993 e hoje se expandiu para além de meus sonhos", diz Sarah. Atualmente, só em Belo Horizonte, a instituição tem um centro de emergência 24 horas para meninos e meninas, além de seis casas de cuidados a longo prazo e uma Eco Fazenda Comunitária. Desde que começou esse trabalho, a "Criança Feliz" desenvolveu um programa de 12 passos para a recuperação que efetivamente atenda as necessidades destas crianças A boa notícia é que o trabalho em Belo Horizonte tem sido 100% financiado com dinheiro brasileiro desde maio deste ano, já que o trabalho da instituição fez uma diferença significativa para as ruas de Belo Horizonte.
Sarah permaneceu no Brasil por nove anos após a fundação do Criança Feliz, durante os quais teve três filhos. Ela voltou ao Reino Unido em 2001 continuando o trabalho da instituição por aqui e, em 2006, abriu escritórios em Leatherhead para apoiar a crescente expansão dos trabalhos realizados no Brasil.
Em 2007, a ONG abriu a primeira casa no Recife. "Trezentos anos antes, Recife era a porta de entrada de escravos africanos que vinham de Angola para o Brasil, sendo que muitos deles foram então enviados para Belo Horizonte para trabalhar nas minas da região. Assim, as crianças atendidas pela Criança Feliz hoje são um legado do comércio de escravos realizados pelos ingleses e, portanto, existe uma dívida a ser paga para com elas", conta Sarah.
Futuro
Em 2014, a próxima Copa do Mundo será realziada no Brasil, que a maioria das pessoas consideram agora uma das economias emergentes do mundo. Muito pouco se sabe, no entanto, sobre o submundo da prostituição infantil e a exploração sexual de crianças, questões que Criança Feliz está trabalhando duro para combater.
A boa notícia é que o Criança Feliz está trabalhando em parceria com o governo brasileiro em um relacionamento que já dura 17 anos para atender mais de 8.000 crianças vulneráveis.
Sarah lembra que o trabalho é duro e que foram necessários sacrifícios pessoais para colocar a instituição em prática, mas existem suas compensações: "No ano passado tive um encontro emocionante com alguns dos rapazes que vieram morar em nossa fazenda há 15 anos". Suas histórias e testemunhos foram documentados no livro de Sarah, que se chama "As crianças de rua do Brasil".
No lançamento, Sarah aproveitou a oportunidade para destacar um problema emergente especialmente focado na prostituição infantil no Nordeste brasileiro.
Segundo a Associated Press, a maior agência de notícias do mundo, recentemente lançou um relatório afirmando que esta parte do país assumiu a posição da Tailândia enquanto centro de turismo sexual infantil. Algumas estações de TV locais conseguiram imagens de crianças de até nove que se oferecem aos turistas há pouco mais de £ 1,50.
Por isso, a ONG agora espera trabalhar mais com este problema: "Como projetos para 2011 e 2012, nossa intenção é aumentar a opção de trabalhos em Recife e também desenvolver nosso modelo de trabalho com estas crianças em Angola, na África. Há, portanto, muito ainda pela frente".
Para saber mais informações sobre o trabalho do Criança Feliz, acesse o site www.happychild.org. O telefone é 01372 375848.
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