Ofensiva contra Taleban
no Afeganistão matou 28 civis, diz comissão

Marines carregam colega ferido até helicóptero em Marjah; segundo comissão, 28 civis já morreram na ofensiva. AP
A Comissão Independente de Direitos Humanos do Afeganistão informou na quarta-feira, 24, que 28 civis morreram em decorrência da ofensiva militar lançada pelas forças internacionais contra a milícia islâmica Taleban na região de Marjah, na Província de Helmand.
A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) confirmou, até o momento, 16 mortes de civis, enquanto observadores internacionais dizem que as vítimas já somam 19.
A ação militar - executada por soldados da Otan e das forças afegãs - foi lançada há 12 dias e é a maior ofensiva desde a deposição do Taleban na invasão liderada pelos EUA, em 2001.
Em um comunicado, o grupo diz ter confirmado 28 mortes de civis na região de Marjah, com base em relatos de testemunhas. De acordo com o grupo, 13 crianças estariam entre os mortos. Cerca de 70 outros civis ficaram feridos - 30 deles crianças - segundo a comissão.
Ainda segunda a nota, a maior parte das vítimas foi atingida por tiros ou morteiros lançados pelas tropas internacionais. "As forças que apoiam o governo têm que tomar mais cuidado para distinguir entre civis e combatentes em Marjah", disse ainda a comissão, que é indicada pelo presidente afegão, Hamid Karzai, mas atua de forma independente.
A morte de civis é um dos temas mais delicados da ação das forças da Otan na luta contra o Taleban no país. O general Stanley McChrystal, comandante das tropas dos EUA e da Otan no país, afirmou em relatório entregue no ano passado ao governo que, ao causar a morte de civis e danos colaterais "desnecessários", a coalizão pode perder a batalha contra o Taleban.
McChrystal impôs ainda novas regras para o lançamento de ataques aéreos, que tiveram seu uso restringido no Afeganistão justamente para evitar incidentes como este, que minam uma parte importante da estratégia internacional: conquistar a confiança dos cidadãos afegãos e enfraquecer a campanha dos talebans contra a presença das tropas no país.
Para obter a aprovação de um ataque aéreo, os marines dos EUA devem estar em risco iminente de serem derrotados ou provar que não há civis no local a ser bombardeado. Alguns comandantes marines dizem que os militantes conhecem as novas regras de combate e as usam para ganhar vantagem.
De acordo com o mais recente relatório da ONU, 2.412 civis já morreram por conta do conflito em 2009 --25% deles em ações militares atribuídas às forças estrangeiras e afegãs.
Baixas
O número de soldados americanos mortos no Afeganistão chegou a mil na terça-feira, 23, informou o site independente Icasualties. As baixas alcançaram esse total após mais mortes no sul e no leste do país, durante a ofensiva que foi lançada em Marjah e está em curso.
Segundo o site, 54 soldados dos EUA morreram no país apenas neste ano. No Iraque, foram oito mortes em 2010, e o total de baixas desde o início do conflito, em 2003, é de 4.378.
O Afeganistão é prioridade na agenda internacional do presidente Barack Obama. Caso a atual ofensiva militar não consiga trazer estabilidade ao país, a atual administração correr o risco de perder drasticamente sua popularidade, em um conflito já pouco aceito nos EUA.
Ofensiva
A operação em Helmand é um grande teste para a nova estratégia dos EUA e da Otan que ressalta a proteção de civis em vez da pressa em retirar os combatentes. Assim que a cidade estiver segura, a Otan planeja organizar uma administração afegã, restaurar os serviços públicos e trazer ajuda humanitária para tentar ganhar a lealdade da população e evitar que o Taleban volte.
A ofensiva, que teve início no último dia 13, pretende expulsar os talebans da área, retomando o controle da região com o mínimo de mortes civis e danos. A intenção é que as pessoas que vivem na área aceitem o governo da administração afegã.
Com cerca de 15 mil militares, a ação foi anunciada como uma das maiores da guerra que começou há oito anos, após os ataques terroristas de 11 de Setembro, atribuídos à rede terrorista Al Qaeda, abrigada pelo Taleban.
Ela foi batizada de Mushtarak, que significa "juntos" em dari, e é a primeira operação que conta com a participação das tropas afegãs no planejamento - resultado, segundo a Otan, do grande investimento em treinamento das forças locais. (Folha Online, com agências internacionais)
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