Riots em Berlim?
Mais de 80 carros foram queimados na capital alemã na última semana

Carros queimados em Berlim podem ter incentivo dos Riots ingleses. Reuters
Dezenas de carros já foram queimados em uma série de incêndios ocorridos por nove madrugadas consecutivas em diversos bairros de Berlim, preocupando as autoridades da cidade. Na madrugada de terça, 30, para quarta-feira, 31, mais três automóveis foram destruídos e um quarto foi parcialmente danificado pelas chamas.
"A situação é muito séria", reconheceu o ministro do Interior alemão, Hans-Peter Friedrich.
Segundo a polícia, os incêndios destruíram 360 carros neste ano. Em metade dos casos, investigadores atribuem um motivo político. Mas até agora, nenhuma organização assumiu a autoria dos ataques.
O prefeito de Berlim, Klaus Wowereit, atualmente em plena campanha para se reeleger, em eleições regionais agendadas para 18 de setembro, admite não saber como solucionar a onda de vandalismo e disponibilizou uma recompensa de 5 mil euros para quem der informações que levem à prisão dos criminosos.
Reforço nas ruas
Os investigadores berlinenses ganharam desde o início da semana o auxílio da Polícia Federal alemã e o policiamento noturno foi reforçado, com 250 policiais no patrulhamento às ruas, incluindo homens vestidos à paisana e o apoio de helicópteros. Mesmo assim, o próprio prefeito acredita que esta é uma missão difícil já que há 1,2 milhões de veículos registrados na cidade. Como a maior parte dos prédios da cidade não dispõe de estacionamento, e os carros ficam nas ruas, esta tarefa se torna ainda mais complicada.
Além de Berlim outras cidades também estão assistindo casos parecidos. Nesta semana, quatro automóveis foram incendiados em Dusseldorf e cidades como Hamburgo, Chemnitz, Colônia, Munique e Marburg também registraram incêndios em carros, ainda que em menor escala.
A queima de veículos durante a noite não é uma novidade em Berlim. Nos últimos anos, foram registrados centenas de casos. O ápice foi em 2009, ano em que mais de 200 carros queimaram durante a noite. Em 2010, a cota ficou em menos de 150 veículos.
Motivações políticas?
Apesar de ser muito parecido com o vandalismo que tomou Londres neste mês de agosto, os ataques na Alemanha possuem um cunho um pouco diferente. Geralmente, eles acontecem contra carros mais caros, como BMWs e Mercedes, e, por isso, vêm sendo atribuídos a ativistas de extrema esquerda que protestam contra a especulação imobiliária em áreas que até pouco tempo eram caracterizadas por moradias simples e custo de vida barato.
Mas apesar de razões mais políticas, especialistas em criminalística consideram que o recente crescimento do número de atentados seja fruto da influência dos tumultos ocorridos há duas semanas na Inglaterra. "Os autores são possivelmente jovens a procura de ação, para compensar o pouco sucesso em suas vidas", avalia o diretor do Instituto de Criminalística da Baixa Saxônia, Christian Pfeiffer.
|