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"Marmelada" da Ferrari: Massa é obrigado a dar a vez para Fernando Alonso vencer no domingo


O piloto Felipe Massa no pódio do GP da Alemanha, cotnrariado. AP

O espanhol Fernando Alonso, da Ferrari, venceu na manhã de domingo, 25, o Grande Prêmio da Alemanha de Fórmula-1, disputado no circuito de Hockenheim. Na 51ª volta (de um total de 67), Felipe Massa, companheiro de Alonso na escuderia italiana, abriu passagem e cedeu o primeiro lugar ao espanhol, que vinha fazendo voltas mais rápidas. O brasileiro, que pode ter sido orientado pela equipe a ceder passagem, terminou a prova em segundo lugar. O alemão Sebastian Vettel, da RBR, completou o pódio.

Rob Smedley, engenheiro do brasileiro, disse pausadamente ao piloto, quando ele liderava a prova, pelo rádio da Ferrari: "Fernando está mais rápido que você. Pode confirmar que entendeu a mensagem?".

Após a corrida, perguntado sobre a ultrapassagem, Massa desconversou: "Eu não preciso dizer nada sobre isso. Eu trabalho para a equipe, fizemos um grande trabalho e isso é o mais importante".

Massa, porém, disse que gostaria de ter vencido. "Lógico que eu gostaria de ter ganhado. Mas trabalho para a equipe. Sou profissional".

Alonso também não quis comentar a ultrapassagem. "Não sei bem o que aconteceu, mas na saída da volta seis, Felipe estava um pouco lento. Às vezes um está mais rápido e o outro está mais lento", afirmou. "Foi uma corrida muito bonita, com um bom resultado para a Ferrari".


Fernando Alonso levanta troféu de campeão do GP da Alemanha ao lado de Felipe Massa. AP

A Polêmica

Massa saiu na terceira posição do grid, largou bem, e ultrapassou Vettel e Alonso, que largaram na primeira e segunda posição, respectivamente.

No decorrer da prova, Massa era perseguido por Alonso, mas, superior, conseguia segurar o espanhol.

Irritado, Alonso reclamou à equipe por rádio que a situação era "ridícula". Na 49ª volta, o engenheiro de Massa o comunicou que o espanhol era mais rápido, questionando se ele havia entendido a mensagem. O brasileiro desacelerou, perdendo a posição para o companheiro de Ferrari.

O regulamento da F-1 proíbe o jogo de equipe, e a Ferrari nega ter favorecido o espanhol.

Punições?

O caso da troca de posições de Felipe Massa e Fernando Alonso no GP da Alemanha deverá ser levado ao Conselho Mundial da FIA no próximo 10 de setembro, dois dias antes do GP da Itália, em Monza. Mas grande parte dos entendidos em Formula 1 acreditam que não haverá punições rigorosas.

Além dos US$ 100 mil (cerca de R$ 180 mil) que a equipe italiana terá de pagar, o Conselho pode ainda determinar uma outra pena caso julgue que a Ferrari infringiu os regulamentos da FIA. Esta punição pode variar desde uma reprimenda, uma multa maior, a desclassificação da corrida ou, no pior dos cenários, a exclusão do time do Mundial de Construtores.

Esta seria a pior alternativa para a Ferrari, já que os times ganham verbas da entidade de acordo com sua posição no campeonato. Foi exatamente isso que aconteceu com a McLaren em 2007, quando o time inglês foi considerado culpado de espionar os rivais.

Caso seja punida no Conselho Mundial, a escuderia italiana ainda pode recorrer à Corte de Apelações da FIA.

Segundo o artigo 39 da lei que rege a F-1, a prova deve ser decidida dentro dos fatores desportivos, sem interferência de força maior. "Ordens de equipe que interferem no resultado da corrida são proibidas", diz o texto do regulamento. Assim sendo, uma eventual punição fica a critério da FIA.

Sem comemorações

Contrariado, Felipe Massa não sorriu, não comemorou, ouviu passivamente o hino espanhol, depois o italiano e recebeu um abraço forte do chefe, Stefano Domenicali. Exatamente um ano após o acidente que quase lhe custou a vida, o brasileiro não tinha motivos para festejar.

"Não posso dizer que estou feliz da vida porque felicidade para mim seria a vitória. Não corro para chegar em segundo. Corro para vencer", afirmou Massa, que assumiu a responsabilidade por ter deixado Fernando Alonso o ultrapassar.

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