Restrições a caminhões entram em vigor em São Paulo
Prefeitura pretende tirar 85 mil caminhões do centro expandido e reduzir congestionamento em até 17%

Em São Paulo, ex-governador Geraldo Alckmin será candidado a prefeito pelo PSDB.
Entrou em vigor na segunda-feira, 30, a restrição à circulação de caminhões de médio e grande porte numa área de cem quilômetros quadrados dentro do centro expandido da capital paulista. Contudo, vários veículos já foram flagrados trafegando pela área proibida. A Prefeitura de São Paulo pretende tirar de circulação 85 mil caminhões do centro expandido da cidade. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), até as 6h30 nenhuma manifestação ou bloqueio de via havia sido registrado na capital por causa da proibição. Nenhum acidente grave interferia no tráfego nas principais ruas e avenidas monitoradas pela CET.
Mas, se depender dos caminhoneiros, isso não representará menos congestionamentos. Eles ameaçam parar o trânsito ocupando os acostamentos da Marginal do Tietê e fazendo comboios em protesto à restrição de circulação de caminhões que já está valendo. A Prefeitura, por outro lado, promete reforçar a fiscalização.
Com 500 agentes e um número não informado de policiais militares, a Prefeitura promete garantir o cumprimento da restrição de caminhões na cidade. O perímetro de cem quilômetros quadrados, onde os motoristas de veículos pesados não poderão circular das 5 às 21 horas, foi dividido em 16 células. Nessas áreas, os agentes farão a fiscalização em pontos fixos, rondas e blitze. O motorista de caminhão grande que desrespeitar a medida poderá ser multado a cada duas horas, dentro da área de restrição. Os veículos urbanos de carga, entre hoje e novembro, enfrentarão um rodízio de placas pares e ímpares, das 5 às 21 horas.
Segundo o secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, a medida reduzirá de 15% a 17% o congestionamento da capital. Nas contas dos técnicos da secretaria, um caminhão parado ou em movimento ocupa, em média, 50 metros quadrados de área e um veículo urbano de carga (VUC), 25 metros quadrados. Para mostrar as vantagens da medida, a secretaria compara esses dados com o espaço ocupado por um carro: 15 metros quadrados
Manifestação
O Sindicato dos Condutores em Transportes Rodoviários de Cargas Próprias de São Paulo promete reunir 200 caminhões às 11 horas para circular lentamente pelas principais vias da cidade. Já a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (ABCAM) pretende prejudicar o trânsito apenas seguindo as regras. Como não podem parar no acostamento das estradas, por conta da fiscalização da Polícia Rodoviária, os caminhões vão esperar o horário permitido no acostamento das Marginais. "Como são muitos, alguma faixa será ocupada", afirmou o presidente da entidade, José Lopes.
Efeitos
Os impactos positivos e negativos da medida podem ser maquiados por um detalhe: nesta mesma segunda-feira começaram as férias escolares. "Naturalmente, o trânsito fluirá melhor", disse o consultor em transporte Horácio Figueira. E, para evitar constrangimentos, dessa vez o rodízio não será suspenso. No ano passado, a Prefeitura liberou os veículos da restrição nesta época do ano, mas os congestionamentos recordes fizeram o prefeito Gilberto Kassab (DEM) retomar o rodízio antes do previsto.
Os especialistas acreditam que, pelo menos nos primeiros meses, a restrição aos caminhões vai aliviar o trânsito. Mas nem toda a cidade deve sentir os impactos. "Os moradores do Ipiranga vão notar uma melhora maior do que quem vive nos Jardins, por exemplo. Mas toda a cidade vai ganhar", disse o engenheiro e professor da Escola Politécnica da USP Jaime Waisman. Dos cinco especialistas ouvidos pela reportagem, ele foi o único a defender plenamente a medida.
Tanto para Horácio Figueira quanto para o ex-secretário de Transportes Adriano Branco, a restrição aos caminhões não resolve o problema do trânsito porque vai facilitar ainda mais a vida de quem anda de carro. "Vai sobrar mais espaço. Quem não usava o automóvel, vai usar. Em poucos meses, vai estar tudo na mesma", disse Figueira.
Entenda
Pressão: Desde o início de março, quando a capital registrou seis recordes consecutivos de congestionamento em 15 dias, a pressão para a Prefeitura apresentar alternativas ao trânsito aumentou
Primeiro pacote: Em 13 de março, a Prefeitura anunciou um pacote de medidas de curto prazo, que incluía a restrição de estacionamento em 17 ruas, a divulgação de 175 rotas alternativas e 19 obras em corredores de ônibus
Novos planos: A restrição de caminhões começou a ser estudada paralelamente à possibilidade de ampliar o rodízio de veículos em uma hora pela manhã e uma hora à tarde. Apenas a restrição a caminhões foi levada adiante
Definição: Em abril, a Prefeitura anunciou que publicaria três decretos, com as definições sobre os caminhões: um para veículos grandes, outro para VUCs e um terceiro para ampliar o rodízio municipal aos caminhões nas Marginais e na Avenida dos Bandeirantes
No papel: No dia 13 de maio, o primeiro decreto estabelecia que caminhões não poderiam circular de segunda a sexta-feira, das 5h às 21h, e aos sábados, das 10h às 16h. Foram definidas cerca de 15 exceções
Em detalhes: O segundo decreto definiu as restrições para os Veículos Urbanos de Carga (VUCs). A partir de novembro eles terão a mesma restrição dos caminhões grandes. Mas, até lá, terão de respeitar um rodízio de placas pares e ímpares, das 5h às 21h (Agência Estado)
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