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AMÉRICA LATINA

Casal brasileiro viaja do Alaska
até América Latina em duas rodas!


Setas indicam a rota a ser percorrida pelo casal.

Carolina Beal
editor@braziliannews.uk.com

Não conheço uma pessoa até hoje que, quando fica sabendo de uma grande aventura, não se empolgue com a idéia. Você pode falar que meus amigos é que são esquisitos, mas a verdade é que, no fundo, todo mundo tem um pouquinho de vontade de se embrenhar pelo mundo afora, embora outros tenham mais medos e menos iniciativas.

Por isso, quando Carlos Pezão contou que ele e a namorada Elenice Ribeiro estavam fazendo uma viagem de moto saindo de Londres rumo ao Alaska e de lá ao Ushuaia, Argentina, ponto conhecido como o “fim do mundo”, não houve dúvida de que faríamos a matéria. A justificativa já esta até no email: “Sempre que vou a algum lugar aqui em Londres, alguém que ficou sabendo minha aventura quer detalhes e mais detalhes... foi por isso que lendo o jornal, tive a idéia de escrever para vocês, caso estejam interessados a escrever algum artigo”.

Planejamento
Residente em Londres há mais de dez anos, sendo que a maior parte deste tempo ele trabalhou como courier, Pezão já estava acostumado a passar bastante tempo na moto. Como o casal já havia viajado juntos como mochileiros para outros locais, surgiu a idéia de associar o gosto pelas motos com a vontade de fazer uma viagem, com opção de ir parando e curtindo os locais. Foi assim que eles definiram a rota que iriam seguir.


Elenice desempacotando a moto depois de pegarem ela no aeroporto!

“Escolhemos a América por ser um local onde teríamos poucos problemas principalmente para a Elenice”, conta Carlos. Tal explicação se deve ao fato de que em uma viagem ao Egito, um comerciante queria comprar Elenice a todo custo! Risadas à parte, realmente o caminho parecia adequado, já que a América Latina faz mais parte da nossa cultura.

Mas, depois de decidido o destino, veio a segunda etapa: guardar 7 mil pounds!!!! Segundo Elenice, a preparação foi realizada um ano antes e foi a parte mais fácil da viagem: “Quando as pessoas me perguntam como a gente fez para juntar dinheiro para viajar, eu respondo: fica um ano sem sair e sem comprar roupa para ver se não consegue? É só uma questão de planejamento”.

Começo: Alaska e Canadá
Com a rota de 20 mil milhas, atravessando 23 países da América, planejada, os dois despacharam a moto ( uma Honda Africa Twin 750) e sairam de Londres no de 08 de Junho 2009 em um vôo de 18 horas rumo a Anchorage (Alaska).

Foi lá que pegaram a moto e puderam então começar a viagem. Do Alaska, os dois contam as dificuldades em atravessar um lugar inóspito, mas de paisagens maravilhosas: “O país só tem duas estradas e possui o maior aeroporto aquático do mundo, porque para chegar até lá, só de avião!”, conta Pezão.


Paisagem inacreditável do Alaska

Na hora de dormir, o jeito era acampar, já que existiam poucas acomodações nos locais. E mesmo assim, muitas vezes, o acampamento tinha que ser feito na beira da estrada, onde chegaram até a conhecer outros viajantes.

Também contam que no Canadá, como eles resolveram não passar pelas grandes cidades, os dois atravessaram a região encontrando pelo caminho apenas caminhões que carregavam pinheiro, a única árvore existente por lá. Como o país possui 3 grandes territórios e apenas 10 províncias, atravessá-lo significa andar por regiões inabitadas!

Dentre as curiosidades, eles contam que era muito comum encontrar ursos na região: “No começo a gente falava; que bonitinho! Depois não agüentava mais! Fora que tinha que ter cuidado para não colocar comida dentro das barracas para que eles não viessem nos atacar a noite para procurar comida!”, lembra Elenice.

Para os ursos, eles tiveram que aprender a usar o Spray de pimenta. Mas em compensação, podiam desfrutar de uma das paisagens mais maravilhosas. “Quando eu era criança, jamais pensaria que faria uma viagem destas. Mas estando lá, eu só conseguia pensar ‘Nossaaa! Eu estou aqui’”.


Carlos Pezão e Elenice no círculo ártico

Atravessando os Estados Unidos e a Rota 66
Já nos Estados Unidos, o trajeto incluía a passagem por 15 estados, começando pela Califórnia e chegando a New Jersei, onde visitariam amigos. Segundo Carlos, é impossível seguir pela mítica rota 66, porque ela já não existe por completo, só partes dela. Mesmo assim, eles atravessaram o deserto do Arizona.

Lá, ao contrário do Alaska e do Canadá, eles pegaram um calor insuportável, conforme contam. “Quando estávamos no Death Valey, pegamos o dia mais quente do ano, era impossível de dirigir. Tive que dormir no chão do quarto do hotel que ficamos, com uma toalha molhada por cima!”, assume Pezão. Isso porque a região fica em um profundo vale que fica a 85.5 metros abaixo do nível do mar!

Outra dificuldade que passaram nos Estados Unidos foi a tempestade de areia. “Nossa moto quebrou no deserto e não queria funcionar. De repente, começou uma tempestade de areia e nem tem como você saber! Porque ela vem de repente e não deixa você ver mais nada. Você não consegue abrir os olhos! Entra areia em toda a sua roupa”, diz Elenice, que também se lembra que apesar disso, o fenômeno é lindo!

Dos Estados Unidos os dois comentam sobre os longos dias de viagem, atravessando estes desertos, encontrando cidades fantasmas, como nos filmes de cinema.

Por causa das condições de clima e de acomodação, eles contam que um dos dias chegaram a dirigir 17 horas seguidas e até 24 horas seguidas, já que o sol não se escondia.

Depois de atravessarem Arizona, Utah, Colorado, New Mexico, Texas, Oklahoma, Kansas, Missouri, Illinois, Ohio, Pensylvania e New York, finalmente pararam em New Jersey, onde puderam descansar por três meses na casa de amigos.

O grande ressentimento, no entanto, nos Estados Unidos é que, ao saírem de Nova Jersei, eles enviaram uma caixa ao Brasil com coisas que não estavam usando na viagem e junto a isto, diversas fitas de vídeo com as imagens da viagem. O problema é que a empresa que fez o transporte mandou a caixa com os objetos a uma instituição de caridade e os dois perderam as fitas. “Resgatamos parte das fitas, mas ainda há muita coisa que precisamos resgatar. Aquilo era o mais valioso nas caixas”, declara Elenice.

Acidente no México
Depois de saírem de Nova jérsei, os dois dirigiram até Ontário e então finalmente ao México. Do México, eles possuem boas recordações: “os mexicanos são mais como a gente e tentam ajudar sempre!”.

Mas foi no México, que a viagem dos dois teria um fim inesperado, colocando o projeto em suspensão por um ano.

Pezão e Elenice estavam em uma cidade vizinha a Cancun quando resolveram ir passear na famosa cidade turística. Lá, um taxista bateu na traseira da moto e, apesar do estrado no veículo não ter sido muito grande, Carlos quebrou o pé, ficando 5 dias internado no hospital.

Mas o pior do acidente é que no México, a polícia é extremamente corrupta, formando uma máfia com os taxistas em Cancun, o que significa que nenhuma taxista que bata o carro assuma a culpa, o que coloca como culpados os outros envolvidos. No México, o acidente de trânsito leva à cadeia e foi só porque Carlos quebrou o pé e ficou no hospital que não foi parar na prisão. “Mesmo assim, eu via que havia policiais no hospital guardando o Carlos e foi aí que procurei o Consulado Brasileiro”.

Do Consulado brasileiro, o casal teve nenhum apoio. Mas como Elenice tem cidadania britânica, procurou o Consulado Britânico no México que, mesmo sem poder fazer muito por Carlos, ajudou-os de diversas maneiras.

Por fim, depois de pagar a fiança de Carlos e a propina, conhecida como “mordida”, aos policiais, é que os dois conseguiram retirar a moto, decidindo assim voltar à Inglaterra para que ele pudesse se recuperar do acidente.

Segunda parte da viagem
Se alguém pensava que a viagem estaria terminada, enganou-se. Nesta semana, carlos Pezão e Elenice voltam para o México, continuando a viagem de onde pararam.

Depois de sair ter percorrido mais de 20.000 milhas, 32 estados no USA ,4 estados no Canada, a intenção é percorrer as 200 milhas da fronteira entre Mexico e Belize para então continuar a viagem por toda a América Latina.

Perguntados sobre o que esperam da nova etapa, os dois são unânimes em afimar: “Nossas férias vão começar mesmo é agora!”

Saiba mais
Se você quer acompanhar a aventura deste casal, pode acessar o blog http://www.penaestradasobre2rodas.blogspot.com/


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