Candidatos para prefeitura de Londres dialogam com a comunidade Latina pela primeira vez
Isaac Bigio
Analista internacional e ex-professor da London School of Economics
Especializado em América Latina
No último domingo, 27, realizou-se uma das maiores reuniões políticas envolvendo latinos na Inglaterra, com candidatos de sete partidos à prefeitura londrina falando diante de 600 pessoas, ouvindo as várias demandas da comunidade latina e prometendo resolvê-las. As eleições para a prefeitura de Londres vão acontecer nesta quinta-feira, 1º de maio. Esta é a primeira vez na história que os conservadores podem ganhar as eleições. No entanto, a disputa se dá equilibradamente entre Ken Livingstone, vinculado ao Partido Socialista da Espanha e grande aliado de Hugo Chávez, e Boris Jonhson, aliado ao Partido Popular da Espanha e mais próximo a forças como as de Uribe, na Colômbia.
Como nos EUA
Londres é a maior cidade ibero-americana fora da Ibéria e das Américas. É importante que os latinos comecem a seguir os passos dos hispânicos nos EUA, convertendo-se num fator da política local. Vários assuntos latinos são parte da agenda eleitoral, como o subsídio petrolífero venezuelano aos ônibus londrinos, o possível fechamento de mercados latinos ou o crime policial contra o brasileiro Jean Charles de Menezes.
Como a disputa entre conservadores e trabalhistas promete ser bastante acirrada, o voto latino poderia inclinar a balança para um dos lados e decidir a eleição.
Se o prefeito Livingstone perde o posto, o fato pode beneficiar os partidários da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas), de Chávez, e os governos da Espanha, Brasil e Chile. Se os conservadores vencem, isto pode ajudar os Tatcheristas no sentido de tentar voltar ao poder no Reino Unido e colocar o país numa atitude menos entusiasta diante da União Européia.
Jogos Olímpicos
Londres é a maior cidade e a mais cosmopolita da Europa. O novo prefeito terá a seu cargo a organização das Olimpíadas de 2012. O prefeito desta metrópole é sempre o britânico mais votado pela população, pois o chefe de Estado não é eleito, e o do governo apenas conta com maioria parlamentar.
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