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Emerson Fittipaldi fala sobre sua experiência no campeonato A1GP com exclusividade para o BN

Por: Paula Medeiros
paulamedeiros@hotmail.co.uk

No último domingo, 27, equipes, carros, pilotos e torcedores fecharam a rua Regent, em Picadilly, numa mega-exposição e promoção do A1 Grand Prix, que é o mais novo campeonato de corridas internacional. O destaque do evento foi o bicampeão mundial de Fórmula 1, campeão mundial de Fórmula Indy e bicampeão das 500 milhas de Indianápolis, Emerson Fittipaldi. Nesta que é a terceira temporada do A1, estão participando 22 equipes.

Emerson Fittipaldi é o diretor da equipe do Brasil, que foi classificada em sexto e décimo oitavo lugar, respectivamente, nas temporadas passadas. Na última etapa da temporada de 2008, que acontece neste fim de semana, em Brands Hatch, Inglaterra, o piloto Xandinho Negrão defenderá o Brasil novamente.

Fittipaldi conversou exclusivamente com o Brazilian News explicando um pouco mais sobre esse campeonato e as chances da equipe brasileira.

Brazilian News: Como está sendo essa experiência no campeonato A1GP?
Emerson Fittipaldi: Eu acho o conceito da A1 fantástico, pois cada país tem a sua equipe, como numa Copa do Mundo de Futebol. Antes o Nelsinho Piquet que era o meu piloto e agora ele está na Formula 1, e essa relação com os brasileiros é muito legal, buscar os novos talentos no Brasil e vê-los desenvolver, vindo das categorias inferiores até chegar nos grandes campeonatos mundiais.

BN: O Brasil sempre revelou grandes pilotos, você, Nelson Piquet, Ayrton Senna. Quem será o próximo?
Fittipaldi: Eu digo que há lacunas de tempos em tempos. O que aconteceu no Brasil após a morte do Ayrton Senna. Agora temos o Felipe Massa que está indo muito bem, o Rubens Barrichello, o próprio Nelson Piquet Junior está se destacando também. É sempre difícil continuar com um representante no topo o tempo todo. O que eu acho que tem que ter é uma continuação, incentivo para garotos começarem cedo a pilotar kart. Hoje, por exemplo, eu tenho dois netos correndo com kart em Palm Beach, nos Estados Unidos. Um de seis anos de idade e um de 12. E esses meninos que estão hoje no kart, categoria que temos muitas corridas e campeonatos por todo o Brasil, são nosso futuro.

BN: Qual o principal diferencial do A1GP?
Fittipaldi: Os carros são exatamente iguais, nós não podemos modificar os carros, apenas ajustar os carros. A preparação da equipe também deve ser bem precisa de acordo com cada pista e sua especificidade. Os pilotos devem ser do país da equipe, o que é muito legal, pois dá oportunidade para países como China, África do Sul, Malásia, Indonésia, que não tem muita tradição mostrar seus talentos. Eles podem competir com mesmo nível e potencial técnico, pois na Formula 1 não tem espaço para todo mundo.

BN: Qual a sua expectativa para esta corrida, numa pista que é bastante familiar pra você?
Fittipaldi: É uma pista fantástica que vai dar muito trabalho pra todas as equipes. Uma pista bastante tradicional aqui na Inglaterra, com muitas curvas, subidas e decidas que exige bastante dos pilotos. O que garante uma grande corrida. Creio que será uma corrida incrível. Parece que a Suíça pode levar o campeonato, mas a Nova Zelândia também está no páreo e vai ficar em cima. A Inglaterra também não está descartada. Será uma grande corrida de qualquer maneira. Espero que o Brasil se saia bem também. Para este campeonato não temos mais chances, mas já estamos preparando para ficarmos numa posição melhor na próxima temporada.

BN: Qual a expectativa para a equipe do Brasil?
Fittipaldi: Não tem sido fácil para nós. Tivemos muitos altos e baixos e não conseguimos atingir alguns pontos que pretendíamos. Agora estamos de olho na próxima temporada, com os novos carros da Ferrari, buscando novos talentos pra colocar o Brasil na posição que lhe é merecida.

BN: Qual sua opinião sobre a atual temporada da Formula1?
Fittipaldi: Eu acho que tudo depende do desempenho da Ferrari e da McLaren. A Ferrari está dominando ultimamente, mas a McLaren sempre teve muita força e pode voltar com um carro mais rápido a qualquer momento.

Emerson Fitippaldi
Emerson Fittipaldi foi o primeiro brasileiro campeão mundial em categorias de ponta no automobilismo internacional, abrindo portas para vários compatriotas. Foi bicampeão da Fórmula 1, campeão da Fórmula Indy e bicampeão das 500 milhas de Indianápolis.

Em 1964, ele foi notado a primeira vez em Interlagos, quando brigou com o diretor da prova que o impedia de entrar na ambulância que levava seu irmão Wilson, logo após ele ter sofrido um acidente em sua “Berlineta” da Equipe Willys. Nesse mesmo ano Emerson se tornou piloto e começou a competir de kart, estreando com uma vitória em Santo André. Terminou o campeonato em nono lugar. Foi campeão paulista em 1965, quando estreou no automobilismo, dirigindo um Renault 1093, numa corrida na Ilha do Fundão pelo Campeonato Carioca. Ali sofreu seu primeiro acidente.

Em 1966, o irmão Wilson teve uma experiência internacional na Fórmula 3, correndo na Argentina, mas apesar de prometido não conseguiu um carro para as corridas na Europa e voltou ao Brasil. Wilson resolveu construir carros de fórmula conhecidos como Fórmula Vê. Emerson dominou o campeonato de Super Vê de 1967, ganhando cinco das sete provas com o carro construído pelo irmão. Também voltou a ser campeão de kart.

Os irmãos Fittipaldi construiriam ainda um Fitti-Vê e Emerson ganhou a II Cem Milhas de Kart em Piracicaba, disputada em 1968. Mas a categoria brasileira estava em crise e Emerson resolveu tentar a sorte na Europa. A última vitória de Emerson no Brasil antes de viajar foi nas 12 Horas de Porto Alegre, pilotando um Volks 1600.

Emerson teve a sua primeira corrida internacional em 7 de abril de 1969, na Holanda, e três meses depois, após muitas vitórias na Fórmula Ford, ele estrearia na Fórmula 3 inglesa. Sagrou-se campeão da categoria aos 22 anos.

Seu imenso talento foi notado por Colin Chapman, proprietário da equipe Lotus de Fórmula 1, que o contratou no ano seguinte para correr pela sua equipe.

A corrida de estréia foi no Grande Prêmio da Inglaterra, em Brands Hatch, onde terminou a prova em oitavo. Três semanas depois, em Hockenheim, marcaria seus primeiros pontos, com um quarto lugar. No final daquele ano, em Monza, seu companheiro de equipe, o austríaco Jochen Rindt, que liderava o campeonato, faleceu num acidente. A Lotus, de luto, retirou-se por duas corridas e voltou no penúltimo GP da temporada, em Watkins Glen. Nesse dia, Emerson venceu sua primeira corrida e, ao mesmo tempo, impossibilitou seus adversários de alcançar a pontuação de Rindt, que assim sagrou-se campeão mundial postumamente.

O ano de 1971 não viu vitórias de Emerson, embora sua atuação consistente lhe tenha garantido três pódios. Em 1972, com cinco vitórias, Fittipaldi tornou-se o campeão mundial mais jovem da história da Fórmula 1, com 25 anos, oito meses e 29 dias, recorde que manteve por mais de três décadas e que só foi quebrado em 2005, pelo piloto espanhol Fernando Alonso.

Em 1973, Emerson venceu mais três corridas, no entanto perdeu o título para o escocês Jackie Stewart. O sucesso contribuiu fortemente para a entrada do Grande Prêmio do Brasil no calendário internacional no ano seguinte, no circuito de Interlagos. Ele mesmo venceu a corrida inaugural.

Em 1974, o piloto brasileiro trocou a Lotus pela McLaren, e, com três vitórias (uma delas no Brasil), sagrou-se bicampeão do mundo. Ainda competitivo, venceu mais duas corridas pela mesma equipe no ano seguinte.

Em 1975, fundou, em parceria com o irmão, a equipe Fittipaldi, equipe inteiramente brasileira e que contava com o apoio da empresa estatal Coopersucar, nome pelo qual a equipe se tornou mais conhecida entre os brasileiros. O primeiro ano em sua própria equipe (1976) foi frustrante, com constantes abandonos. Em 1977, Emerson conquistou alguns resultados razoáveis, como três quartos lugares, mas foi em 1978 que ocorreu o grande momento de Emerson em sua própria equipe, ao terminar o Grande Prêmio do Brasil no circuito de Jacarepaguá em segundo lugar.

A partir de então houve um declínio técnico na equipe, e, ao final de 1980, no mesmo circuito de Watkins Glen onde vencera sua primeira prova, Emerson Fittipaldi retirou-se da Fórmula 1 como piloto. Em 1982, após seu piloto Chico Serra marcar um ponto no Grande Prêmio da Bélgica, sua equipe fechou as portas.

Ao longo da carreira na Fórmula 1 foram 149 Grandes Prêmios, 14 vitórias, seis pole positions, cinco melhores voltas, com um total de 276 pontos.

Emerson, quando ainda estava na Fórmula 1, chegou a realizar testes com carros da CART em circuitos ovais mas não gostou. Com o término da sua carreira na Fórmula 1 ele mudou de idéia e logo no primeiro ano em que realizou algumas corridas por essa categoria estadunidense (1984), ganhou o oval do GP de Michigan, um dos mais difíceis do circuito.

Aos 38 anos, Emerson reafirmava seu talento e assinou com a Patrick Racing para disputar regularmente o campeonato da CART de Fórmula Indy. Em cinco anos ele obteve seis vitórias. Em 1989, após cinco vitórias, ele se tornou o primeiro brasileiro campeão da categoria. Sua mais expressiva e histórica vitória foi a mítica 500 milhas de Indianápolis, quando liderou 158 das 200 voltas. No final, um duelo de arrepiar com Al Unser Jr. Na última curva o estadunidense forçou a ultrapassagem, se chocou com Emerson e saiu da pista. O brasileiro agüentou firme e cruzou em primeiro a linha de chegada. Para comemorar o dia histórico para os brasileiros, Raul Boesel chegou em terceiro.

Roger Penske levou Emerson para seu time, a Penske, em 1990. Emerson continuou entre os melhores da categoria e, em 1993, ganhou a sua segunda 500 Milhas de Indianápolis superando o campeão da Fórmula 1 de 1992, Nigel Mansell. Emerson comemorou tomando suco de laranja em lugar do tradicional copo de leite, como forma de promover o produto de suas fazendas. Emerson encerrou sua participação na categoria em 1996, depois de um grave acidente no Michigan International Speedway.

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