Simulação da morte de Isabella foi ridícula, afirma avô da menina
"Meio ridículo", foi assim que o advogado Antonio Nardoni, avô paterno de Isabella, classificou as cenas a que assistiu pela TV da simulação do assassinato da menina feita anteontem pela polícia

Os peritos evitaram jogar a boneca no chão e a penduraram em uma corda.
Ele se referia em especial à parte da simulação em que os peritos cortaram a tela de proteção do quarto de onde Isabella foi jogada há um mês e colocaram uma boneca pendurada, para representar o corpo da menina assassinada.
"Para dizer que não assisti, eu vi o pedaço em que cortaram a rede. Que, na minha opinião, não teve nada a ver com o que a gente tinha da fotografia anterior. Foi meio ridículo. Também não deixaram cair a boneca porque, com certeza, cairia em outro lugar", afirmou ele. "Mas é uma posição da polícia que a gente entende. Eles têm que fazer o trabalho deles."
Alexandre Nardoni e Anna Jatobá e seus advogados não foram à simulação.
Antonio Nardoni rebateu ainda as conclusões de peritos do Instituto de Criminalística, segundo as quais as marcas na camiseta de Alexandre apontam que ele jogou a filha pela janela. "O cara [policial que representou o assassino na simulação] rasgou a rede quase toda. Mesmo assim, o sinal [marca da tela na camiseta] não ficaria do jeito que eles estão falando que ficou. Mas não analisei ainda."
O advogado Rogério Neres, um dos defensores do casal, não quis comentar a simulação. Afirmou que, com a conclusão das investigações, começa um novo trabalho. "Tudo o que foi produzido no inquérito policial, nas perícias e nos depoimentos pode ser submetido ao crivo do contraditório, em que a defesa pode questionar."
Os delegados do 9º DP, de Carandiru, informaram na segunda-feira, 28, à Justiça terem obtido informações de um plano de saída de Alexandre e Anna Jatobá, possivelmente para Portugal.
Antonio Nardoni nega. "Ninguém vai sair do país, ninguém vai sair para lugar nenhum. Eles têm absoluta certeza de que são inocentes, e nós vamos levar isso até o final", diz. "Eles [polícia] têm que criar o fato para tentar justificar a decretação da prisão."
A polícia liberou na segunda-feira o apartamento do edifício London para a família Nardoni, assim como o Ford Ka do casal.
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