Chávez ameaça expropriar e ocupar siderúrgica Ternium Sidor

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ameaçou no domingo, 27, expropriar e mandar ocupar imediatamente a siderúrgica Sidor, caso não haja um acordo sobre o preço a pagar a seus acionistas e sócios da Ternium, em meio ao processo de renacionalização da empresa.
Chávez disse que a Ternium, controlada pelo grupo argentino Techint, pede quatro bilhões de dólares pela empresa, da qual detém 60 por cento das ações. Os 40 por cento restantes são divididos entre o Estado venezuelano e os trabalhadores.
"Não vou pagar quatro bilhões de dólares por esta empresa. Se não querem chegar a um acordo conosco, na terça-feira emito um decreto de expropriação e tomo o controle da empresa imediatamente, sem problema", disse Chávez durante seu programa dominical de rádio e televisão.
O ministro de Indústrias Básicas e Mineração, Rodolfo Sanz, disse no sábado que o pacote da Ternium em Sidor tinha sido avaliado, inicialmente, em 800 milhões de dólares, dos quais teria de deduzir alguns passivos.
Recentemente, ele afirmou que a Ternium aceitaria ficar com uma participação de dez por cento na Sidor.
Chávez disse no domingo que ordenou ao vice-presidente, Ramón Carrizalez, que chamasse na segunda-feira os diretores da Ternium para fazer um acordo a preço justo – caso contrário, expropriaria a maior siderúrgica da região andina e do Caribe.
"Também não queremos prejudicá-los, não. O que vale, vale", disse.
"Assim, espero que amanhã os empresários de reúnam com o vice-presidente e deixem de brincadeira. Eu rio, acham que somos bobos? Pedem quatro bilhões de dólares pela empresa? Não vale, queremos ser justos", exclamou Chávez.
O presidente venezuelano disse que a empresa, que mandou reestatizar este mês devido a um conflito trabalhista, deverá ser analisada para calcular os passivos ambientais e trabalhistas, e denunciou que "estão aparecendo" contabilidades falsas.
A Sidor foi privatizada em dezembro de 1997. Em 2007, produziu 4,3 milhões de toneladas de aço líquido. Além da Sidor, a Ternium controla a Siderar, na Argentina, e a Hylsamex, no México. O conglomerado faz vendas da ordem de dez bilhões de dólares anuais.
Além de estatizar, em 2007, petroleiras multimilionárias e as principais empresas privadas de eletricidade e telefonia, Chávez anunciou este mês que tomará o controle das três maiores produtoras de cimento do país, filiais da mexicana Cemex, da suíça Holcim e da francesa Lafarge . (Reuters)
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