Caso Isabella: quatro depoimentos estão previstos para esta 4ª
A expectativa é maior em torno do depoimento da irmã de Alexandre, que teria dito frase comprometedora

A polícia deve tomar nesta quarta-feira, 23, mais quatro depoimentos sobre a morte de Isabella de Oliveira Nardoni, 5 anos, dentre eles o do advogado Antônio Nardoni e o de sua filha, Cristiane Nardoni. Segundo a polícia, a menina foi assassinada. Ela foi jogada do apartamento em que moram seu pai, madrasta e outros dois irmãos, na noite do dia 29 de março, na zona norte de São Paulo. Os depoimentos do avô e da tia de Isabella já foram adiados duas vezes e devem ocorrer às 16 horas.
Outras duas testemunhas, que moram no mesmo prédio de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina, devem ser ouvidas às 14 horas desta quarta-feira. Segundo a polícia, o adiamento foi decidido sob a alegação de que "a cautela é a melhor arma da polícia", nas palavras do diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), Aldo Galeano.
Na terça-feira, a polícia também adiou a conclusão do inquérito. Agora, ele só deve ser finalizado após o depoimento de quatro pessoas consideradas 'imprescindíveis' pela polícia, a reconstituição do crime, marcada para domingo e a inclusão dos laudos finais ao inquérito. Em uma tumultuada coletiva de imprensa, na qual seriam apresentados os motivos do indiciamento do pai de menina, Alexandre Nardoni, e sua mulher, Anna Carolina Jatobá, por homicídio triplamente qualificado, foram relatadas as razões do adiamento.
Com o inquérito concluído, os delegados Calixto Calil Filho e Renata Helena Pontes, do 9º Distrito Policial (Carandiru), apontarão o casal como autores do crime e pedirão à Justiça a prisão preventiva do casal (quando o acusado permanece preso até o julgamento). Os advogados de Alexandre e Anna Carolina já avisaram que, se isso realmente ocorrer, entrarão imediatamente com um pedido de habeas corpus.
Últimos depoimentos
Na tarde de terça-feira, o pedreiro Gabriel dos Santos, que trabalha em um obra localizada nos fundos do Residencial London voltou a prestar depoimento. Ele negou ter dito à polícia e para jornalistas que o portão da obra foi arrombado na noite do crime. 'Nunca disse isso. Não aconteceu arrombamento', contou. A expectativa é para os depoimentos de Antônio e Cristiane Nardoni, pai e irmã de Alexandre, e de um casal de moradores do Residencial London. Testemunhas disseram à polícia terem ouvido Cristiane dizer uma frase comprometedora contra seu irmão quando ela soube que Isabella sofrera um acidente. 'Meu irmão fez uma besteira', teria dito Cristiane. Ela nega.
Durante a explicação do adiamento do esclarecimento do crime, na terça-feira, o diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), Aldo Galiano Júnior, chegou a pedir desculpas. "Eu acho que o principal interesse é o público, que pede a conclusão das investigações. Já a imprensa tem o interesse de informar, mas não podemos sobrepor o interesse da imprensa ao interesse público de elucidarmos o caso", avaliou.
Ele ainda tentou amenizar as críticas que a polícia recebeu dos advogados do casal sobre a condução dos interrogatórios do casal, ocorridos na última sexta-feira. A defesa repudiou que eles foram realizados sem que os laudos estivessem prontos. 'Chegou esse momento em que a defesa partiu para o confronto, mas não vamos entrar nesse confronto, nem vamos sabotar a defesa. A polícia está trabalhando de forma técnica e responsável, doa a quem doer. A cautela é a melhor arma que a polícia tem', disse Galiano Júnior.
O trio de advogados do casal ameaçou entrar com uma representação na Corregedoria da Polícia Civil apontando falhas na investigação. 'Nossa reclamação vai mostrar uma série de irregularidades cometidas nos trabalhos de investigação', disse o advogado Rogério Neres. No entanto, até a noite de ontem eles não haviam entrado com a representação na Corregedoria. A principal argumentação dos advogados é que a polícia fez perguntas baseadas em resultados de laudos inacabados. "Os exames que foram questionados pela defesa estão sendo anexados aos autos hoje (na terça-feira)", justificou o delegado. (Estadão)
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