Insatisfação e tristeza podem desenvolver para doenças psicológicas mais graves

Daniele Tedesco
07874 221 671
www.psicologadanieletedesco.com
Pergunta: Estou insatisfeito com o meu trabalho, relacionamento e vida social. Quase nunca tenho tempo livre e quando tenho geralmente fico em casa, sem saber o que fazer. Às vezes tenho vontade de largar tudo e voltar para o Brasil, mas não consigo mais imaginar minha vida por lá. O que fazer? Luciano (Londres, GB).
Esta é uma queixa muito comum no consultório e podemos identificar várias questões envolvidas nesta pergunta.
Comece lembrando qual era o contexto da sua vida quando resolveu deixar o Brasil.
Qual era o seu estado civil, o seu trabalho, com quem morava, quais eram as pessoas que faziam parte da sua vida e do seu cotidiano, quais eram as alegrias do seu dia e as suas maiores dificuldades.
Agora lembre a partir de que fato surgiu a idéia de ir embora e quais foram as suas expectativas e os seus planos para a nova vida em outro país.
O que imaginava encontrar pela frente, o que estava buscando ou do que estava tentando se livrar.
Lembre como foi a sua partida, os preparativos para a viagem, o nervosismo, a ansiedade, os papéis, as perguntas que você se fazia sobre o que estava fazendo e como seria o lugar para onde estava indo, o último dia no Brasil, a despedida no aeroporto, a viagem atravessando o oceano e a aterrissagem do avião.
Relembre quais foram as suas primeiras impressões da cidade, das pessoas, dos lugares, das diferenças, quem o recebeu, onde foi morar, quais foram as primeiras dificuldades e como fez para resolvê-las e para se adaptar.
Imagine quais dessas dificuldades do início permanecem até hoje e principalmente, quais daquelas perguntas que você se fazia enquanto arrumava as malas para ir embora do Brasil ainda estão sem resposta, independente do tempo que tenha se passado, seja um mês, um ano ou muito mais do que isso.
A sua questão parece estar relacionada não apenas ao seu dia-a-dia atual, mas a uma dificuldade de perceber qual rumo você está dando para a sua vida.
Em outras palavras, trata-se de um problema relacionado não ao seu dia-a-dia, como você coloca, mas principalmente a questão de permanecer em Londres ou voltar para o Brasil e isto implica em olhar com outros olhos para qual motivo lhe trouxe até aqui e perceber como esta questão em aberto têm afetado a sua relação com o seu trabalho, relacionamento e vida social atuais.
Quando uma questão tão importante quanto esta, que envolve toda a sua vida e seu sistema (vida profissional, amorosa, familiar e social) fica em aberto, torna-se impossível olhar para cada questão em particular e tentar encontrar nelas a resposta para algo maior, que na verdade é o que realmente impede que você siga a vida construiu aqui e que assim possa, tanto desfrutar das coisas boas, quanto resolver os problemas que aparecem pelo caminho (sem que para isso precise repensar na sua vida toda).
Para isso tente responder qual o seu objetivo estando aqui. Se é o mesmo objetivo de quando veio, use a sua cabeça a seu favor para pensar sobre como concretizar o que deseja e arregasse as mangas para ir em busca do que sonha, seja um trabalho, uma determinada quantia de dinheiro para voltar para o Brasil, um imóvel, um relacionamento ou simplesmente uma vida diferente.
E se o objetivo já não é mais o mesmo, seja porque você já alcançou o que desejava ou porque os acontecimentos mudaram, repense quais são os seus planos e projetos de vida daqui para frente.
Da mesma forma se pretende voltar para o Brasil, pense quais são os seus projetos por lá, se ainda deseja algo aqui ou se sente que realmente é hora de voltar.
Ir em busca dos nossos sonhos e conquistá-los é o que dá motivação para continuarmos vivendo. A falta deles na nossa vida causa desmotivação, ansiedade, tristeza e pode levar a doenças emocionais e mentais como pânico, depressão e até suicídio.
Se sabemos para onde estamos indo, mesmo que não tenhamos certeza até onde vamos chegar, fica mais fácil e mais gostoso desfrutar das coisas simples do dia-a-dia, sejam elas o trabalho, a família, os amigos, uma volta no parque, um livro, um filme, um esporte, uma comida gostosa.
Se sabemos para onde estamos caminhando tudo passa a fazer sentido e aí realmente podemos parar e olhar para os problemas em si quando eles aparecem e assim resolvê-los sem precisar jogar tudo para o alto.
Mas antes é preciso saber aonde estamos e onde queremos chegar.
Desta forma o caminho fica mais fácil e mais leve, principalmente se sabemos preservar os relacionamentos que temos e contar com as pessoas que amamos para estarem ao noso lado nos encorajando e dando força quando nos sentimos enfraquecidos.
Quando você descobre o que quer e o que lhe faz feliz não há tempo livre que fique sem sentido.
Espero poder ter lhe ajudado de alguma forma.
Leitores que também tenham questões sobre sua vida profissional, pessoal, filhos, família, e relacionamentos podem enviar sua pergunta para o e-mail: psidanieletedesco@gmail.com ou através do website www.psicologadanieletedesco.com. A cada três semanas uma questão será selecionada para ser respondida no jornal (dados sigilosos, apenas o seu primeiro nome será divulgado).
Um abraço e até a próxima edição! |