Governo impede mais uma convocação de Dilma
Rodolfo Torres, de Brasília
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A Comissão de Meio Ambiente do Senado rejeitou na terça-feira, 22, um requerimento da oposição que pedia a convocação da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para prestar esclarecimentos sobre o suposto dossiê, vazado para a imprensa, contendo gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
No entanto, Dilma terá que ir ao Senado, uma vez que foi convocada por outra comissão da Casa, a de Infra-Estrutura. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), assegurou que o depoimento da ministra será no dia 30 deste mês. Oficialmente, ela foi convocada para falar das obras do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC). Na prática, ela deve responder aos questionamentos da oposição sobre o dossiê anti-FHC.
Jucá, no entanto, avisou que a base aliada não vai deixar que a “mãe do PAC” seja atacada pela oposição por “um crime que ela não cometeu. “A toda ação política da oposição vai haver uma reação do governo de igual intensidade”, alertou o peemedebista.
Por sua vez, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), avalia que existe um “excesso de zelo” dos governistas em relação a Dilma. “Eu acho que há um excesso de zelo, dos governistas propriamente querendo proteger a chegada da ministra aqui. Acho isso natural, desde que não haja excesso", afirmou Garibaldi, acrescentando que a Comissão de Infra-Estrutura não é o colegiado apropriado para discutir o caso do dossiê. "Realmente convidar para uma Comissão de Infra-Estrutura para falar sobre um assunto de CPI não é possível", ressaltou.
A CPI mista dos Cartões Corporativos (formada por deputados e senadores), que na semana passada estava em clima de acordo entre governo e oposição, voltou a estremecer mais uma vez. Desta vez, por causa das chamadas sub-relatorias do colegiado.
A presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), definiu na semana passada que a composição das sub-relatorias se daria da seguinte forma: os deputados oposicionistas Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Índio da Costa (DEM-RJ), ocupariam respectivamente as sub-relatorias de sistematização e fiscalização de gastos.
A base do governo ficaria com a sub-relatoria de controle de mecanismos de auditoria, ocupada pelo senador Gim Argello (PTB-DF), e com a de aperfeiçoamento legislativo, que seria assumida pelo deputado Maurício Quintela (PR-AL).
No entanto, os governistas não ficaram satisfeitos com a decisão da senadora tucana, que regimentalmente tem o direito de fazer as indicações. O relator CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), já avisou que o governo quer as su8b-relatorias que foram concebidas à oposição. De acordo com o petista, a base do governo vai se reunir para rever a decisão de Marisa Serrano. Aliados do governo já têm, inclusive, um requerimento redigido, propondo que as sub-relatorias sejam decidas pelo voto, e não por indicação.
O deputado Índio da Costa foi nessa terça ao Tribunal de Contas da União. Ele foi um dos parlamentares escolhidos para ter acesso a documentos sobre os gastos da Presidência da República com os cartões corporativos. Segundo ele, a análise de um dia foi suficiente para descobrir gastos irregulares do Planalto. “Os pareceres que estão nos processos sigilosos claramente apontam gastos irregulares e um excesso de uso do cartão para coisas que não deveriam”, afirma, acrescentando que as despesas que ele teve acesso não são sigilosas. “Pelo que eu vi até agora, não tem nada que coloque em risco a vida do presidente”, destacou.
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