Bush manifesta apoio à entrada da Ucrânia na Otan
Presidente americano expressa esperança de acordo com a Rússia sobre escudo antimísseis no Leste Europeu
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, manifestou nesta terça-feira, 1º, seu apoio à entrada da Ucrânia à Otan, durante visita ao país. Sentado ao lado do presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, Bush disse que os Estados Unidos apóiam a decisão "corajosa" tomada pela Ucrânia de pedir sua entrada no bloco militar ocidental.
Segundo a BBC, o presidente americano disse que pressionará seus aliados militares durante a reunião de cúpula do bloco na Romênia, nesta semana, para apoiar os planos para a incorporação de Ucrânia e Geórgia ao grupo. Bush disse ainda que a Rússia, que não faz parte da aliança, mas se opõe fortemente à expansão da Otan aos países da antiga União Soviética, não terá o poder de veto sobre a aprovação da entrada dos dois países.
O presidente americano expressou ainda sua esperança de conseguir um acordo durante sua próxima reunião com o chefe de Estado russo, Vladimir Putin, sobre o escudo antimísseis que Washington pretende posicionar no Leste Europeu. Em Kiev, Bush disse que "tenho esperanças de alguns avanços" nessa reunião, no próximo domingo em Sochi (Rússia). Esse encontro, a última etapa da viagem que o presidente americano realiza pelo Leste Europeu, deverá ser o último de Bush e Putin como chefes de Estado de seus países, pois o novo líder russo, Dmitri Medvedev, tomará posse em maio.
Sistema antimísseis
A reunião em Sochi tem por objetivo, segundo a Casa Branca, acalmar os temores de Moscou sobre o escudo antimísseis, que a Rússia considera "uma ameaça". Nos últimos dias, a Casa Branca afirmou que houve avanços, e expressou seu otimismo sobre a possibilidade de um acordo, apesar de ter ressaltado que "não existem prazos". "Acho que estamos nos movimentando em um caminho no qual a Rússia e os Estados Unidos poderiam ter a defesa antimísseis como uma área de cooperação estratégica", disse o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Stephen Hadley, na segunda-feira.
Os planos americanos prevêem colocar dez plataformas de lançamento de mísseis interceptores na Polônia, e um sistema de radar na República Tcheca. Washington insiste em que o escudo não tem a Rússia como alvo, mas fazer frente a possíveis ataques de países inimigos no Oriente Médio. Bush insistiu nesta terça nessa idéia ao afirmar que "não é um quebra-galho anti-russo".
O presidente americano descartou taxativamente, no entanto, chegar a um acordo com a Rússia pelo qual esse país elimine suas objeções ao escudo antimísseis em troca de que, na cúpula que começa na quarta, em Bucareste, a Otan não aceite os pedidos da Ucrânia e da Geórgia de um plano de ação para a futura entrada na Aliança. Kiev, disse Bush, "fez um pedido valente e os Estados Unidos apóiam firmemente essa solicitação", disse Bush, que irá a Bucareste para participar da cúpula da Otan.
"Profunda crise"
O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Grigory Karasin, disse em uma audiência na Câmara Baixa do Parlamento russo, a Duma, que a entrada da Ucrânia na aliança militar ocidental "provocaria uma profunda crise nas relações entre a Rússia e a Ucrânia".
Segundo ele, a Ucrânia se tornaria uma área de acesso entre a Europa e a Rússia. Karasin disse que os países ocidentais precisam fazer uma escolha estratégica porque "a crise também afetará da maneira mais adversa a segurança pan-européia".
Reportagem publicada nesta terça-feira pelo diário Financial Times também relata a oposição da Alemanha à entrada da Ucrânia e da Geórgia à Otan, alegando que esses países ainda não estão "maduros" para se aliar ao bloco.
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