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TURISMO

Um passeio pela cidade de Liverpool
Liverpool é famosa por ser um centro musical e por atrair turistas fãs do estilo vitoriano, do excelente futebol e da vida noturna agitada. Agora está ressurgindo como Capital Européia da Cultura em 2008. O cenário da culinária está melhor do que nunca e apesar do surgimento de diversos bares transados, há diversos pubs característicos – ideais para tomar uma cervejinha local e dar um tempo nas compras e no turismo.

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Síndrome do pânico: prevenção, sintomas e tratamento
Ao contrário do que algumas pessoas pensam, psicoterapia não é coisa para doido e você não precisa achar que "há pessoas com problemas maiores do que os seus" para se dar o direito de buscar apoio e, acima de tudo, de buscar amparo para se sentir melhor, mais vivo e mais feliz. A partir desta edição, a psicóloga Daniele Tedesco estará respondendo dúvidas dos leitores ou discutindo temas como este da síndrome do pânico
mundo

Lula-Chávez e Sarkozy-Brown

Isaac Bigio
Analista internacional e ex-professor da London School of Economics, é especializado em América Latina e assina uma coluna diária no jornal peruano Correo
Tradução: Pepe Chaves

Na quarta-feira, 26, se deram dois diferentes encontros de mandatários nos dois lados contrapostos do Atlântico. No nordeste do desse oceano se reuniram em Londres o presidente de França Nicolás Sarkozy com a rainha Elizabeth II e o premiê Gordon Brown do Reino Unido. No Atlântico ocidental sul-americano se encontraram em Recife, o presidente Hugo Chávez da Venezuela com seu homólogo brasileiro, Luis Inácio Lula da Silva.

Ambos encontram se realizaram de maneira totalmente desligada entre si. No entanto, ambos têm em comum ter proposto a necessidade de acercar seus respectivos países para potencializar os seus respectivos blocos econômicos (a União Européia e o Mercosul) e por terem abordado temas ligados à energia e segurança conjuntas. Brasil e Venezuela buscam apaziguar a tensão com a Colômbia. Em Londres os governantes da França e Reino Unido lembraram de pedir que se reestruture o Conselho de Segurança de Nações Unidas para que possam ingressar como membros permanentes, o Brasil, além de Alemanha, Japão, Índia e um representante de África.

O Brasil, por sua vez, valeu-se da reunião em Recife para seguir avançando como o grande mediador e articulador de um bloco sul-americano. Lula, ao adular Chávez por ter sido o ‘grande pacificador’ que impediu que escalasse o conflito entre Equador e Venezuela com Colômbia, quis se mostrar como um artífice do apaziguamento das tensões continentais.

Lula e Chávez por pouco não se envolveram numa nova crise entre Quito e Bogotá, cuja a raiz foi a comprovação de que um equatoriano tinha sido morto no ataque contra o acampamento das FARC, ao norte do Equador em 1º março. No entanto, Chávez fez todo o possível por esfriar a possível ‘reacendida’, enquanto acusa ao ministro da Defesa colombiano, Santos, de ser o guerrilheiro de seu governo, pois ele considera a possibilidade de mandar tropas colombianas para invadir países vizinhos. Assim, ele tende a criar uma ponte para Uribe, que deseja se apresentar como mais ‘moderado’, ainda que saiba que o presidente colombiano usa uma escopeta de dois tiros.

Para esfriar o panorama, Bogotá sugeriu às FARC que liberem à doutora Ingrid Betancourt, pois seu governo estaria disposto a liberar condicionalmente centenas de prisioneiros da guerrilha. Certamente que as FARC querem mais garantias para isso, como por exemplo, uma ampliação da lista, se sentar cara a cara com Uribe e conseguir uma zona do tamanho de Bélgica. Em todo caso, agora Bogotá surge não tão intransigente e esse oferecimento, junto com a cimeira ‘pacificadora’ entre o país sul-americano maior e o mais esquerdista, buscará dissipar as pugnas com Equador.

Desde que Uribe chegou ao poder em 2002, as FARC e o ELN perderam cerca de metade de suas forças e estas guerrilhas não só retrocederam em sua influência, mas também em suas pretensões. Elas hoje se limitam a buscar uma negociação que lhes permita uma forma de entrar no sistema político oficial. Venezuela e Brasil querem lhes mostrar o caminho para uma saída similar a da América Central. O eixo Venezuela-Brasil quer pressionar a Uribe para que não volte a violar outro país e para que abra uma via de negociação com a guerrilha, enquanto busca que as FARC venha optar pela via de se ir desarmando e se acoplando à ‘democracia multi-partidaria’.

Ambos os países conclamam a fortalecer ao Mercosul e a esfriar a crise colombo-equatoriana. As duas nações chegaram a acordos para fazer obras comuns em matéria de extração e distribuição de hidrocarburetos. A Venezuela quer um gasoduto até Argentina e Chávez se defende que, em outrora, o ouro negro era levado ao norte, mas que hoje deve servir para potenciar ao sul. Chávez propõe a necessidade de que os exércitos sul-americanos se organizem e que contemplem uma aliança em comum, a mesma que, eventualmente, poderia lhes levar a preparar um choque contra os EUA. Tanto ele como Lula, trabalham a possibilidade de criar um organismo internacional permanente, diferente da OEA (onde está EUA e Canadá) e ao da Comunidade Ibero-americana (onde está Espanha e Portugal) no qual estaria somente a América Latina.

Apesar do radicalismo chavista, muitos empresários em São Paulo vêem como positivo chegar a acordos comerciais com a Venezuela, cujos mercados buscam conquistar e cujos hidrocarburetos lhes são essenciais. Em diferentes cimeiras, Chávez esteve no rio Amazonas, onde ele lança longos discursos falando de Marx, revolução e socialismo. Esta é uma característica usual em todas suas viagens. É algo que, enquanto incomoda a muitos na direita, temerosos de sua fraseologia anti-imperialista e de confrontação, também é visto com receio dentro de uma esquerda dura que acha que este militar venha anular a ‘independência da classe dos trabalhadores’, para que estes, supostamente, se apazigúem e marchem depois por ele. No entanto, isso permite a Chávez aparecer como um líder e interlocutor continental dos movimentos sociais.

Por outro lado, Sarkozy, ao visitar Londres não quis fazer nenhum discurso ante nenhuma multidão ou movimento social, senão somente durante o banquete da rainha e ante todos os membros das câmeras dos lordes e dos comuns. Enquanto Sarkozy se cercou do eixo diplomático, comercial e militar, que Washington mantém com Londres, Chávez quer fazer um contrapeso a tal eixo e conta com o Brasil e eventualmente outras nações do sul.

Se Sarkozy hoje propõe que a França se distancie de sua antiga rivalidade com os EUA e reassuma todas suas funções na OTAN, envie mais tropas ao Afeganistão, até conseguir a vitória naquele país, Chávez quer o oposto. O presidente venezuelano também propõe criar um comando continental latino-americano, mas que não seja somente independente a Washington, porém, também disposto a lhe peitar. Diante do grave problema energético mundial, o Brasil busca converter-se no líder do etanol (plano que produz atritos com Caracas, que o acusa de provocar desmatamento, o que deverá encarecer os alimentos), enquanto o Reino Unido e a França firmaram acordos em sua cimeira para incentivar projetos nucleares.

A Venezuela, buscando contrastar a estes planos, oferece um grande gasoduto que una o extremo norte com o sul do subcontinente. O Brasil, enquanto isso, quer valer-se de ambos os encontros. Graças ao que teve com Venezuela, acentua sua liderança regional e consegue estabilizar a América do Sul. E, graças ao que se deu em Londres (e no qual não teve nenhuma participação), consegue um importante avanço em sua estratégia para se integrar como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.

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